* Especial * França de Olinda * por Netto

França de Olinda

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Arde ávida a acidez
A agonia arranha, bale,

Bole, berra, bate brutamente.
Corre calado cúmplice cão
Cujos dentes dignos de devoção
Decerto devoram espada e esporas
Enquanto famintos, furiosos felinos
Grudam-lhe garras grossas.
Hoje hospedam Homeros, Horácios
Imponentes igrejas impotentes
Jesus, Judas, jogam, jantam juntos
Lêem loucos livros lúcidos lamas
Mas, mestres místicos, maconha
Metem medo. No ninho, nascem
Novas noivas néscias
Outras ostras ocultam pérolas, porém.

Pretos pedem pão. Povos põem panos quentes.
Quem quer querelas?
Rotulam rocks. Rejeitam reggaes.
Súbito, surgem sangrentas sarjetas
Transamazonicamente.

Transcontinentalmente.
Tão tristemente!
Unhas untam úberes universalmente.
Universidades? Vomito-as.
Vêm vindo vozes:
Xiiiiiii….
Xangô?
Xenófobos?
Zeza?
Zumbi?
Zarpemos?
Zeeeeeeeeeeeeeeemmmmmmmmmm!!!!!!!!!!!!!!!!!

França de Olinda
Homenageado no Alt Fest ! Fliporto 2010

Ilustração: João de Deus Netto

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França (Cabo de Santo Agostinho, 1955 – Recife, 16/10/2007)
Valdemilton Alfredo França (França de Olinda) cursou Artes Cênicas na UFPE. Figura mítica e admirada de Olinda, cidade que escolheu como residência, a partir de 1975.
Foi um dos fundadores e diretores do TAO – Teatro de Amadores de Olinda, grupo com o qual concebeu e encenou a peça A Cor da Exclusão, baseada em poemas de sua autoria, além de Cantares ao Meu Povo, baseada em poemas de Solano Trindade.
Como proprietário do bar Sociedade dos Poetas Vivos, promoveu muitos encontros de poetas e artistas, na década de 1990. Conduziu o recital itinerante Eu, Poeta Errante, que acontecia sempre à meia-noite das quintas-feiras, em lugares diferentes da cidade de Olinda, entre 2000 e 2007.
Participou do projeto Chá das Cinco, recitais itinerantes de poesia performática, patrocinados pela FUNDARPE – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, no Festival de Inverno de Garanhuns/PE de 2007 e na Fliporto (Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas), no mesmo ano.
Em 2005, alguns de seus poemas fizeram parte do livro Luz do Litoral do fotógrafo Mateus Sá. No mesmo ano teve poemas editados naRevista Palmares – Cultura Afro-Brasileira. França foi um dos homenageados no Festival Recifense de Literatura,   em 2008.
                                                                                                                          Livros: A Cor da Exclusão, Mão-de-Veludo Edições Artesanais, 1998,                                 
e Cafuné, Mão-de-Veludo Edições Artesanais, 2003.

Participação em coletânea: Marginal Recife: coletânea poética I (orgs.: Cida Pedrosa, Miró e Valmir Jordão) – Fundação de Cultura Cidade do Recife, 2001.

Fonte do texto “França: www.interpoetica.com
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Um comentário:

  1. por aqui nem só beleza
    nesses dias de paupéria
    nação de tanta beleza
    país de tanta miséria

    http://goytacity.blogspot.com/2011/03/turma-dos-panos-quentes-e-agora-quem.html

    ventilador – jiddu saldanha – cinema possível
    http://www.youtube.com/watch?v=SVpwfLpwp00

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